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quarta-feira, 6 de julho de 2016
O “Inglês da escola” e o paradigma da insuficiência
(Juliana Tavares)
As frases listadas abaixo resumem o que mais comumente ouço quando converso com pais de alunos, próximos ou não, a respeito do aprendizado de inglês dentro das escolas da rede pública e particular:
“Quando ela ficar um pouco mais velha eu vou colocar no inglês porque o inglês da escola é muito fraco.”
“As crianças da turma dele são bem avançadas porque a maioria faz inglês fora.”
“Na escola não dá para aprender inglês, com aquela bagunça e aquele monte de aluno. Tem que colocar na escola de inglês mesmo.”
“Eles têm inglês, mas são duas aulas por semana. E a professora é muito fraca.”
Essas frases possuem algo em comum: todas elas refletem uma descrença no ensino de língua estrangeira nas escolas regulares. Já falamos aqui sobre os principais problemas que identificamos nas áreas de idiomas das escolas e não é nosso propósito negar a existência deles. Sabemos também que, para fazer de fato a diferença, o ensino de língua estrangeira deve ser muito bem fundamentado em formação contínua e busca por resultados.
Porém, se formos destrinchar essas frases com mais cuidado, identificamos um conjunto de crenças (ou descrenças) que formam o que vou chamar de paradigma da insuficiência: a ideia de que o inglês ensinado nas escolas nunca será bom o suficiente e precisa ser “reforçado” com a escola de idiomas. O problema com esse paradigma está no triste fato de que, não importa o que é feito na escola em prol da qualidade, ele parece perdurar com muito mais força. É como se o problema de qualidade no ensino fosse algo exclusivo das línguas estrangeiras, já que nunca ouvi ninguém dizer que vai colocar seu filho em uma “escola de história” porque a “história na escola é fraca”. Além de desqualificar o ensino de inglês, essas crenças também desqualificam o professor. Afinal de contas, se o inglês é fraco, de quem é a culpa?
Não se sabe dizer ao certo quando esse discurso começou a se espalhar, mas muita gente já pesquisou e escreveu sobre o assunto (veja referências interessantes aqui). De fato, grande parte dele foi construído devido à má qualidade do ensino em geral. Entretanto, creio que o ensino de inglês sofre um pouco mais com isso, porque saber um idioma já se configurou condição si ne qua non para a conquista do mercado de trabalho. Portanto, se “não se aprende” na escola, há de se aprender em algum lugar, pois sem inglês não se sobrevive no mercado (come se as demais disciplinas não fossem também essenciais em seu conjunto de habilidades!).
Isso nos leva a refletir um pouco mais a fundo sobre o real papel das línguas estrangeiras na escola. O que a maioria dos pais provavelmente desconhece é que a função dos idiomas na Educação é (ou ao menos deveria ser) muito mais complexa do que o proposto nas escolas de idiomas! Que dentro da escola devemos estabelecer diálogo com outras disciplinas, trabalhar com habilidades não-cognitivas, inserir a cultura dos países falantes da língua de maneira mais aprofundada, desenvolver o pensamento crítico, etc. Em outras palavras: ensinar uma língua não se resume a ensinar a falar uma língua. E é exatamente por isso que não se deve comparar o trabalho feito nas BOAS escolas de línguas com o trabalho desenvolvido dentro das escolas regulares. Ainda assim, é preciso melhorar muito o que é feito hoje. Porém, para melhorar, é preciso que haja valorização, tanto por parte dos pais, quanto por parte da própria escola como um todo (professores, direção e alunos). É preciso que a importância das línguas estrangeiras na escola pública e particular seja reconhecida, e que essas disciplinas obtenham o mesmo status das demais. Somente dessa forma poderemos caminhar rumo a um ensino de idiomas sério e de qualidade.
terça-feira, 7 de junho de 2016
Por que perdemos tanto tempo em nossas aulas?
(Juliana Tavares)
Para quem acompanha nossos artigos, não é novidade que a questão do gerenciamento de tempo nas aulas é tema bastante recorrente. Louise já escreveu sobre isso aqui Organizando sua aula e eu também falei um pouco aqui The importance of classroom management. Porém, esse tema é tão importante que nunca é demais retomá-lo. Para isso, vamos imaginar um cenário real. A cena que vou descrever agora provavelmente já foi presenciada, ou mesmo protagonizada por muitos de nós em nossa prática diária de sala de aula:
9:10 – Início da aula
9:15 – Professor chega à sua mesa, após passar por seus alunos, que o cercam de todos os lados, fazendo todos os tipos de perguntas e apresentando os mais diversos problemas.
9:17 – Professor começa a chamada. Os alunos presentes fornecem o boletim do porque os alunos ausentes estão ausentes. Começam mais histórias.
9:21 – O professor pede aos alunos que peguem seus materiais, que já deveriam estar em suas mesas. Os alunos começam a se movimentar, ir até o fundo da sala, onde se encontram as mochilas. Um aluno tropeça em uma mochila que está no meio do caminho. Todos riem. O aluno fica chateado.
9:26 – O professor, após acalmar os ânimos, pergunta se todos fizeram as tarefas e começa a avalanche de desculpas por parte dos que não as fizeram.
9:30 – Após terminar o assunto com ameaças de enviar quem ainda estiver falando à direção, o professor começa sua aula. Faz um warm up rápido e pede aos alunos que se sentem em pares, pois sabe que se pedir a eles que se sentem em grupos, não haverá tempo para finalizar a tarefa. Os alunos começam a brigar entre si, pois não querem se sentar com quem está ao lado, ou os meninos não querem se sentar com as meninas, etc., etc., etc. ...
9:35 – Restam apenas 20 minutos da aula e os alunos ainda nem começaram a fazer a primeira atividade planejada. A monitora bate à porta para dar um “recadinho para a classe”. O professor sai correndo e gritando aos quatro ventos: “Por que não fui fazer Contabilidade? ”
É claro que coloquei minhas pitadas de exagero nessa história (nenhum professor de línguas que conheço faria Contabilidade, ha, ha, ha!), mas a pergunta é: com quantos aspectos dessa aula você se identificou? A verdade é que muitos de nós passamos por isso. No final da aula, sentimos que não conseguimos cumprir quase nada do que estava em nosso plano e que outras questões, externas à aula em si, sempre acabam interferindo no andamento do planejado. O fato é que, quando trabalhamos com idiomas, o tempo que perdemos é bastante precioso, pois representa uma grande porcentagem do total que temos com nossos alunos. Se em sua escola você tem duas aulas semanais de 45 minutos, 20 minutos perdidos é muito tempo. Para alunos do Fundamental I é ainda pior, pois muitas escolas oferecem apenas uma aula de 45 ou 50 minutos por semana.
Embora saibamos que muitos dos obstáculos responsáveis por atrasos e perda de tempo não sejam necessariamente nossa culpa, é válido afirmar que é possível tomarmos algumas medidas que podem reduzir o tempo perdido em sala e aumentar a prática da língua entre nossos alunos. Essas medidas foram inspiradas na prática de professores que sabem aproveitar ao máximo o tempo que possuem com seus alunos. Vamos a algumas delas:
Faça a sua parte
Se sua aula começa às 09:10, como no caso acima, esteja na porta da sala às 09:08. Nem sempre é possível, mas tenha essa mentalidade para que o tempo perdido seja o mínimo. Se você planejou sua aula com tarefas que exigem preparação anterior (distribuir flashcards, usar o computador, o som, ou vídeo), concentre seus esforços para que tudo esteja o mais preparado possível de antemão. Se você vai trabalhar em grupos, estabeleça-os na aula anterior, ou peça uma mãozinha ao professor que vem antes de você. Companheirismo nunca é demais!
O recado tem que ser agora?
Já ouvimos de um grande número de professores que há uma ideia de que recados, entregas de bilhetes, ou quaisquer outras coisas fora do contexto da aula podem sempre ser feitos nas aulas de inglês, espanhol, arte, ou educação física. Ao mesmo tempo que isso é injusto – já que as disciplinas mencionadas possuem um tempo reduzido de aulas – também perpetua a ideia de que essas aulas são menos importantes. Se esse for o caso em sua escola, diga simplesmente que naquele momento não dá! Se for de fato importante, eles podem voltar outra hora.
Treine seus alunos no comportamento esperado
Isso pode levar tempo no início, mas seus alunos devem ser treinados em questões como: estar com o material pronto, saber se sentar em pares e grupos, deixar a lição à mostra para checagem. É importante entender que treinar os alunos é um processo, o que quer dizer que não basta uma ou duas vezes para que eles entendam e se comportem como o esperado. Estabelecer uma rotina leva tempo, mas vale a pena.
Não deixe seus alunos ociosos
Sabe aquele ditado: “Mente vazia, oficina do diabo”? Pois bem, sábio quem o inventou. Ociosidade significa problemas de comportamento. Por isso, é sempre bom ter em mãos algo que manterá os alunos ocupados. Tenha sempre atividades simples, curtas e diversificadas disponíveis para os alunos. O ideal é formar uma pasta, um activity bank, com coisinhas simples, que impedirão ociosidade. No início da aula, por exemplo, você pode distribuir uma dessas tarefas para manter seus alunos ocupados, enquanto você ajusta tudo o que precisa para dar início à aula. Dessa forma, o tempo produtivo da aula é maximizado, assim como o potencial de aprendizado dos alunos. Você vai ver que, quanto mais ocupados os alunos estiverem, menos tempo haverá para surgirem problemas e para perder tempo.
Gostou das dicas? Quer nos contar o que você faz para não perder tempo de aula? Acesse www.teach-ineducation.com/site/conteudo.php?p=contato e compartilhe conosco sua experiência!
quarta-feira, 6 de abril de 2016
A importância do coordenador pedagógico de idiomas
(Louise Potter)
Todos nós sabemos da importância e das múltiplas funções que o coordenador pedagógico possui. A busca constante por uma educação de qualidade pelas escolas prioriza a formação contínua do corpo docente, que é uma das funções mais importantes do coordenador.
Segundo Clementi (apud Almeida,2003), cabe ao coordenador "acompanhar o projeto pedagógico, formar professores, partilhar suas ações, também é importante que compreenda as reais relações dessa posição."
Ao se deparar com o ensino de língua estrangeira, o coordenador pedagógico enfrenta um grande desafio. Como proporcionar aos alunos um ensino de idiomas de qualidade, sem necessariamente recorrer a parcerias com escolas de idiomas, decisão bastante custosa tanto para a escola quanto para os pais, se ele também não possui o conhecimento necessário do idioma e das estratégias de ensino que essa disciplina demanda?
Uma das funções mais importantes do coordenador é acompanhar o projeto pedagógico e formar professores. Isso exige treinamentos, encontros, troca de ideias e uma equipe coesa, com objetivos claros desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. O coordenador pedagógico que não está familiarizado com o ensino de línguas não possui as competências necessárias para acompanhar e treinar esses professores, uma vez que as estratégias de gerenciamento de sala de aula são diferentes daquelas das demais disciplinas.
Assim, para que uma instituição possa realmente proporcionar um ensino de línguas de qualidade, deve haver uma coordenação específica que acompanhe não somente os alunos, mas também a formação dos professores de idiomas em todos os segmentos. O conhecimento do conteúdo desenvolvido em cada segmento por todos os professores de idiomas da escola é fundamental para que haja continuidade no processo da aquisição da língua por parte dos alunos.
Enfatizando a importância da formação de professores de idiomas, a Teach-in Education disponibiliza alguns workshops que podem ser usados em treinamentos e oficinas de formação. Saiba mais sobre nossos serviços clicando aqui.
Todos nós sabemos da importância e das múltiplas funções que o coordenador pedagógico possui. A busca constante por uma educação de qualidade pelas escolas prioriza a formação contínua do corpo docente, que é uma das funções mais importantes do coordenador.
Segundo Clementi (apud Almeida,2003), cabe ao coordenador "acompanhar o projeto pedagógico, formar professores, partilhar suas ações, também é importante que compreenda as reais relações dessa posição."
Ao se deparar com o ensino de língua estrangeira, o coordenador pedagógico enfrenta um grande desafio. Como proporcionar aos alunos um ensino de idiomas de qualidade, sem necessariamente recorrer a parcerias com escolas de idiomas, decisão bastante custosa tanto para a escola quanto para os pais, se ele também não possui o conhecimento necessário do idioma e das estratégias de ensino que essa disciplina demanda?
Uma das funções mais importantes do coordenador é acompanhar o projeto pedagógico e formar professores. Isso exige treinamentos, encontros, troca de ideias e uma equipe coesa, com objetivos claros desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. O coordenador pedagógico que não está familiarizado com o ensino de línguas não possui as competências necessárias para acompanhar e treinar esses professores, uma vez que as estratégias de gerenciamento de sala de aula são diferentes daquelas das demais disciplinas.
Assim, para que uma instituição possa realmente proporcionar um ensino de línguas de qualidade, deve haver uma coordenação específica que acompanhe não somente os alunos, mas também a formação dos professores de idiomas em todos os segmentos. O conhecimento do conteúdo desenvolvido em cada segmento por todos os professores de idiomas da escola é fundamental para que haja continuidade no processo da aquisição da língua por parte dos alunos.
Enfatizando a importância da formação de professores de idiomas, a Teach-in Education disponibiliza alguns workshops que podem ser usados em treinamentos e oficinas de formação. Saiba mais sobre nossos serviços clicando aqui.
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